O fetichismo do terno
Bom, eu havia prometido que iria falar sobre “andar de terno”. Então vou cumprir a promessa
Primeiro, somente reforçando: não gosto de ternos e gravatas. Já disse isso, mas sou chato. E isso porque não falei do maldito último botão da camisa, aquele que enforca; esse, sim, tem que ir pro mais profundo dos infernos e de lá nunca mais voltar.
(Aliás, cada vez mais me convenço de que as mulheres gostam mais de terno e gravata que nós homens; se me torrarem suficientemente a paciência eu explico a tese em um próximo post. Portanto, façam a sua parte.)
Bom, agora vamos ao que interessa.
Terno e gravata é visto como “a encarnação do Sistema” (sim, esse com S maiúsculo), pelo menos no imaginário geek/nerd. Colocar terno e gravata é virar “um deles”. Imagino, inclusive, que tem gente que, toda vez que precisa colocar camisa e calça social, fica repetindo as primeiras palavras de Trainspotting, “Choose life. Choose a job. Choose a career. Choose a family.” e por aí vai. Tem uma passagem neste post do Ricardo (desculpa, Ricardo, não foi por mal) que celebra isso: E me divirto quando vejo o pessoal que leciona Direito lá na faculdade onde trabalho. Vejo aquele povo vindo do fórum, do escritório, sei lá daonde, todo arrumado, embrulhado para presente… E eu, de tênis, calça jeans e camiseta, dando aula como eles, e se bobear ganhando um salário maior do que o deles. Sem ter que passar por esse sacrifício. E isso é bom! Aliás, é ótimo.
Desculpem, crianças. Já passei da idade de achar graça nas letras adolescentóides do Charlie Brown Jr, de acreditar em Coelhinho da Páscoa, e de acreditar nesse fetiche. Não é por usar terno ou não que “entraremos no Sistema”, mas sim a nossa vontade de engolir a pílula azul ou vermelha.
Na boa. Ternos e gravatas não mordem. Nós é que acreditamos que eles mordem.
Eu me sinto bem de terno e gravata. mas isso de vez em quando, todo dia é de foder.
uma dica de experiencia… não feche o ultimo botão, mas ajeite a gravata bem, a gola se auto sustentara na gravata e não parecerá q esta aberto.
Que droga, em César? Traiu o MOVIMENTO!!!!!
1º botão da camisa é o do colarinho, que deve ter tamanho adequado para que fique confortável, nem apertado ou folgado. Com a assessoria de um bom camiseiro, não sentirá incômodo ao vestir uma camisa, mesmo que não esteja acostumado com o uso da gravata.
Pena que muitos recorrem aos ternos prontos e ruins oferecidos por lojas que não caem nada bem no corpo por terem medidas bem diferentes da anatomia de cada pessoa, sem falar na matéria prima utilizada: descartáveis e haja coragem para vesti-los. Nada como um terno feito por um competente alfaiate.