Música para alguns ouvidos

2006 November 20
by Cesar Cardoso

Hora de desnerdar um pouco, né?

Recebi um email do Allan, do Terminal Guadalupe, avisando de duas músicas ‘filhas únicas de mães solteiras’ no MySpace deles. Segundo o próprio Allan, “Ni” mistura surf music com Ramones, Monthy Python e brega italiano. O mp3 é da pré-produção realizada pelo TG em julho deste ano. “Mármore Gelado” é um clássico desconhecido do rock pantaneiro (?!). Foi do repertório do grupo Carestia em Ascensão, de Corumbá (MS), e teve sucesso local no final dos anos 80. Esta versão, com forte influência grunge, foi gravada em junho de 2005, em um show na tradicional casa noturna Era Só O Que Faltava, em Curitiba. O Terminal Guadalupe incluiu a música em seu repertório especialmente para a apresentação no Festival América do Sul, em Corumbá, no mês anterior, em que homenageou os artistas da cidade.

Conselho: baixem as duas músicas. E não é porque o TG é um dos favoritos desse blogueiro :)

A partir uma resposta de Mestre Inagaki a um comentário meu no seu último post (em que ele republica uma grande crônica sobre ‘Os Outros’, do Kid Abelha), fui apresentado a “Outro Futuro”, o novo álbum do Leoni. (Leoni, aliás, um dos injustiçados na cena pop/rock nacional dos anos 80.)

Droga, Inagaki, por sua causa vou ter que comprar esse CD! Porque o álbum é sensacional. E tem “50 Receitas”. Até agora, a grande música dor-de-cotovelo desse século. Sintam o drama:

Eu respiro tentando encher os pulmões de vida
Mas ainda é dificil deixar qualquer luz entrar
Ainda sinto por dentro toda dor dessa ferida
Mas o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar

Eu queria manter cada corte em carne viva
A minha dor em eterna exposição
E sair nos jornais e na televisão
Só pra te enlouquecer até você me pedir perdão

Eu já ouvi 50 receitas pra te esquecer
E só me lembram que nada vai resolver
Porque tudo, tudo me traz você
E eu já não tenho pra onde correr

O que me dá raiva não é o que você fez de errado
Nem seus muitos defeitos, nem você ter me deixado
Nem seu jeito fútil de falar da vida alheia
Nem o que eu não vivi aprisionado em sua teia

O que me dá raiva são as flores e os dias de sol
São os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós
São seus olhos e mãos e seu abraço protetor
É o que vai me faltar… O que fazer do meu amor?

O cidadão leva um pé na bunda, entra numa sessão de “50 Receitas”, Lupicínio Rodrigues y otras cositas más e corta os pulsos. Creio que nossa geração precisava de uma música dor-de-cotovelo dessas.

Ina, estou esperando seu post sobre a obra do Leoni.

Ah sim. Tenho uma trilogia de contos a fechar. Dessa semana não passa.

E um momentinho nerd, se vocês me permitem.

Tio Ballmer, se estou sendo acusado de algum crime, gostaria realmente de saber qual é.

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  1. 2006 November 24

    Cesar, há tempos está na pauta um post sobre o Leoni. De dezembro ele não passa. :) A propósito, vale ressaltar que a crônica daquele post foi escrita pelo Carlos Eduardo Lima, o CEL. Um abraço!