Música para alguns ouvidos
Hora de desnerdar um pouco, né?
—
Recebi um email do Allan, do Terminal Guadalupe, avisando de duas músicas ‘filhas únicas de mães solteiras’ no MySpace deles. Segundo o próprio Allan, “Ni” mistura surf music com Ramones, Monthy Python e brega italiano. O mp3 é da pré-produção realizada pelo TG em julho deste ano. “Mármore Gelado” é um clássico desconhecido do rock pantaneiro (?!). Foi do repertório do grupo Carestia em Ascensão, de Corumbá (MS), e teve sucesso local no final dos anos 80. Esta versão, com forte influência grunge, foi gravada em junho de 2005, em um show na tradicional casa noturna Era Só O Que Faltava, em Curitiba. O Terminal Guadalupe incluiu a música em seu repertório especialmente para a apresentação no Festival América do Sul, em Corumbá, no mês anterior, em que homenageou os artistas da cidade.
Conselho: baixem as duas músicas. E não é porque o TG é um dos favoritos desse blogueiro
—
A partir uma resposta de Mestre Inagaki a um comentário meu no seu último post (em que ele republica uma grande crônica sobre ‘Os Outros’, do Kid Abelha), fui apresentado a “Outro Futuro”, o novo álbum do Leoni. (Leoni, aliás, um dos injustiçados na cena pop/rock nacional dos anos 80.)
Droga, Inagaki, por sua causa vou ter que comprar esse CD! Porque o álbum é sensacional. E tem “50 Receitas”. Até agora, a grande música dor-de-cotovelo desse século. Sintam o drama:
Eu respiro tentando encher os pulmões de vida
Mas ainda é dificil deixar qualquer luz entrar
Ainda sinto por dentro toda dor dessa ferida
Mas o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar
Eu queria manter cada corte em carne viva
A minha dor em eterna exposição
E sair nos jornais e na televisão
Só pra te enlouquecer até você me pedir perdão
Eu já ouvi 50 receitas pra te esquecer
E só me lembram que nada vai resolver
Porque tudo, tudo me traz você
E eu já não tenho pra onde correr
O que me dá raiva não é o que você fez de errado
Nem seus muitos defeitos, nem você ter me deixado
Nem seu jeito fútil de falar da vida alheia
Nem o que eu não vivi aprisionado em sua teia
O que me dá raiva são as flores e os dias de sol
São os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós
São seus olhos e mãos e seu abraço protetor
É o que vai me faltar… O que fazer do meu amor?
O cidadão leva um pé na bunda, entra numa sessão de “50 Receitas”, Lupicínio Rodrigues y otras cositas más e corta os pulsos. Creio que nossa geração precisava de uma música dor-de-cotovelo dessas.
—
Ina, estou esperando seu post sobre a obra do Leoni.
—
Ah sim. Tenho uma trilogia de contos a fechar. Dessa semana não passa.
—
E um momentinho nerd, se vocês me permitem.
Tio Ballmer, se estou sendo acusado de algum crime, gostaria realmente de saber qual é.

Cesar, há tempos está na pauta um post sobre o Leoni. De dezembro ele não passa.
A propósito, vale ressaltar que a crônica daquele post foi escrita pelo Carlos Eduardo Lima, o CEL. Um abraço!