A Idade da Irracionalidade

2007 January 9
by Cesar Cardoso

Tem coisas no Brasil que, por mais que expliquemos, não entenderemos.

Uma modelinho-apresentadorinha. Um namoradinho rico e preibói da tal modelinho-apresentadorinha. Dois manés que não conseguiram se segurar e resolveram transar no mar. Paparazzo filmou, e já sabe, bobeou cai na rede. A tal modelinho-apresentadorinha, “defendendo sua privacidade”, entra na Justiça. Um desembargador bloqueia o YouTube. Todo mundo se rebela, o tal desembargador se borra e volta atrás.

Primeiro, sobre a tal modelinho-apresente a tal modelinho-apresentadorinha, cujo nome não merece ser citado. Como levar a sério uma figurinha que apareceu para a fama como maria-chuteria do agora decadente Ronaldo (aquele que um dia foi o Fenômeno…) e que só aparece na imprensa quando arma um barraco (coisa do qual ela é especialista, que o diga a Caroline Bittencourt)? Claro, a nossa mídia, o nosso star system está podre e corroído, porque qualquer mulher que forneça para a pessoa correta vira estrela. É o império do “deu certo na vida”.

Segundo, sobre o tal sexo no mar e a privacidade: privacidade? o que é isso? na era dos cameraphones? na era do YouTube? Nah. Basta ver as toneladas de coisas como “namorados filmaram a transa e caiu na rede”. Se quiser privacidade, não dê chance. Vá transar entre quatro paredes, com celular desligado, e mesmo assim olhe no quarto para ver se não tem nenhuma câmera. Mas na praia não. Em público não. Quem quer se exibir, tem que saber o risco que está correndo.

Vendo que, ao contrário das outras vezes, a sua aparição na mídia não foi fabricada, foi espontânea, e que não foi fabricada positivamente, mas sim espontaneamente negativamente, a ex-maria-chuteira chama seu ad(e)vogado, decora o velho discursinho do “estou defendendo minha privacidade” e entra no Tribunal de Justiça de SP. O tal desembargador escreve uma decisão absolutamente dúbia e malfeita; claro, decisões judiciais são feitas para serem cumpridas, mesmo as mal-escritas. E aí entramos no clube de China, Coréia do Norte, Arábia Saudita, Irã etc etc etc, quando as operadoras de links internacionais leram a decisão, não entenderam nada (natural) e resolveram aplicar a pior sanção, tendo em vista que desembargador no Brasil tem certeza que é Deus(*) e sabe-se-lá o que ele está pensando… De qualquer maneira, só prova que rico e famoso, ou nesse caso um rico com uma semifamosa, consegue o que quer na nossa Justiça, inclusive jogar o Brasil na censura. Estamos bem mal em termos de Justiça mesmo.

(E ainda tem o tal ad(e)vogado dizendo que o site “estava negligenciando a decisão da Justiça”, por não ter conseguido tirar todas as cópias do ar. Quem já tentou bloquear aqueles SPAMs com figura sabe o quanto é difícil filtrar qualquer coisa que não seja texto.)

Enfim, acordamos um belo dia e descobrimos que estávamos sob censura. Um site bloqueado por causa de uma pessoa. Todo mundo repercutiu, da Agência Brasil ao Boing Boing, passando por toda a internet. Sites com cópias do malfadado vídeo pipocam por toda a rede. Milhares de exemplos da inutilidade da decisão correm pela internet inteira, desde como usar o IP para furar o bloqueio mandrake da Telefónica até uso de proxies e Tor para burlar o bloqueio mais sofisticado feito pela Brasil Telecom. O tal desembargador que escreve decisões malfeitas acaba voltando atrás, assustado com a repercussão, não sem antes saudar a censura como “prova de que a Justiça pode atuar contra sites estrangeiros”, comemorando a vitória da inutilidade sobre a racionalidade. E o que me assusta é que um desembargador que escreve decisões impossíveis de entender claramente, como esse aí, pode parar numa corte superior. E eu que pensava que escrever em português era pré-requisito para alcançar a magistratura.

Moral da história? Sei lá. Ainda acho que vai render, o recuo tático do desembargador ainda não me dá confiança, basta a poeira baixar para a censura voltar. Deixei guardadas aqui as dicas do coredump.

Aliás, já viram que a modelinho-apresentadorinha ainda não abriu a boca? Logo ela, que gosta tanto de falar…

(*)Adaptação daquela piada, “advogado pensa que é Deus, juiz tem certeza que é”.

EDIT: a MTV Brasil, na cara de pau característica da emissora e de seus donos (Grupo Abril), tentou jogar toda a culpa no pegante da modelinho-apresentadorinha. Deram azar que o Carlos Cardoso foi no Consultor Jurídico e descobriu o nome da modelinho-apresentadorinha lá no agravo.

EDIT 2: A melhor detonada que a modelinho-apresentadorinha levou. Parabéns, Phelipe!

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5 Responses leave one →
  1. 2007 January 9

    E vai abrir a boca pra quem?
    Com aquele bocão de sapo ela engole o mundo!

    ps: Vadia!
    ps2: Sim, estou com raiva e ainda não satisfeito… hehehehe

  2. 2007 January 9

    Hum…vejamos pelo lado bom…

    Eu aprendi como usar a rede TOR (via coredump)

    Pelo menos a limonada é boa :-)

  3. 2007 January 10

    E o circo continua pegando fogo. Não adianta querer apagar, Cicarelli. :P

  4. 2007 January 10

    Se olharmos o texto do segundo agravo de fato consta apenas o Tato como agravante:
    http://conjur.estadao.com.br/static/text/51735,1

    http://www.interney.net/?p=9757179

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